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quarta-feira, 1 de junho de 2016

A história emocionante do menino que tem duas mães, um pai, três avós e muitos irmãos

 Jocélio e suas amigas

Por Josélio Fraga

Olá, pessoal, meu nome é Jocélio Fraga, estudo no 1º 01 do Ensino Médio na Escola de Educação Básica Orlando Bertoli e eu gostaria muito de compartilhar a minha história de vida com vocês. Minha intenção é mostrar a importância da adoção e o poder do amor.
         Muitos têm uma história de vida perfeita, nasceram, cresceram num mesmo lar e não tiveram problemas. Mas comigo o destino foi diferente.  Quando nasci, por pouco não perdi a vida. Na verdade poderia estar morto se não fosse a caridade de uma mulher. Meus pais biológicos não queriam cuidar de mim. Eu era fraco, sensível, não conseguia nem piscar.  Não ficava em pé de jeito nenhum. Até que um dia, uma mulher viu o meu estado. Conversou com minha mãe que confessou que não tinha mais condições de cuidar de mim e que iriam me deixar morrer mesmo, doente, sem remédios, sem cuidados necessários.
Essa mesma mulher foi embora e dias depois o Conselho Tutelar bateu em minha casa. Levaram-me embora, pois eles não conseguiam me criar. A mesma mulher que denunciou o caso, acabou ficando comigo. Deu-me banho, tirou toda a sujeira que eu tinha porque na casa dos meus pais eles me deixavam jogado no chão. Levaram-me ao médico. Fiz cirurgia no ouvido, pois eu tinha objetos dentro e tive o tímpano perfurado. Tanto que até hoje preciso tomar muito cuidado para não ter infecções. Não posso frequentar piscina, poder eu posso, mas eu não posso mergulhar porque se entrar água  no meu ouvido, infecciona.
Mas, continuando minha história, fui alimentado e eu não conseguia segurar nem uma coisa porque eu era muito frágil. Depois de um tempo, voltei a ficar sem família, pois essa mulher que me cuidou também não tinha condições porque já tinha quatro filhos. Uma amiga dela aceitou cuidar de mim. Quando ela me pegou no colo, chamei-a de vó e chamo até hoje. Ela e seu marido, que eu chamava de vô, me levavam para a creche. Mas eles resolveram tirar porque eu chorava muito. Sempre passeava com a minha vó, até que um dia paramos em uma casa, na amiga da minha vó. E foi aí que conheci minha mãe de coração ou minha segunda mãe. Ela me amou desde o primeiro dia que me viu. Pediu para a minha vó para ajudar a cuidar de mim. Ela tinha uma loja e chegou a passar o comando do comércio para outra pessoa só para se dedicar a mim. Minha mãe me cuidou muito até que o tempo foi passando, fui crescendo e comecei a ajudar na loja. Andava de motoca pelo comércio, enfim, eu estava muito melhor, um menino feliz e saudável.
Um dia, conheci minha verdadeira mãe e meus irmãos de sangue. Ficamos melhores amigos, com algumas briguinhas de vez em quando.

Só tenho que agradecer a primeira mulher que me tirou de lá, pois salvou minha vida. E agradeço a minha vó, a segunda mulher que me deu um lar e agradeço a minha mãe de coração e quero dizer que a amo muito, como um filho ama uma mãe. Toda vez que eu conto a minha história, alguém acaba chorando, mas eu digo que só tenho motivos para sorrir. Tenho que dar muito valor aos que me ajudaram. Há, eu perdi meu avô, fiquei muito triste, aquele homem que me deu o segundo lar. Bom, se eu não me engano eu tenho: duas mães, um pai, três avós e não sei quantos irmãos, mas deve chegar a 16. Minha família é grande, mas consigo conviver bem.
Sou um aluno esforçado e tenho muitos amigos. Adoro a companhia das minhas amigas Vanessa e Suelen. Com elas, aprendi o valor da verdadeira amizade.  Então, pessoal, essa é a minha história.
Uma grande abraço.
Jocélio 

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